“Airbnb” dos armazenamentos avança em meio à pandemia

Na plataforma, o aluguel oscila entre R$ 10 a R$ 15 o metro quadrado, a metade de uma locação em self storage tradicional

Estadão Conteúdo

(SHVETS production/Pexels)
(SHVETS production/Pexels)

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O quarto ou a garagem vazia estão virando fontes de renda extra para os brasileiros em meio à pandemia. Esses espaços vagos dentro das casas das famílias começam a ser usados para armazenar objetos de outras famílias e de empresas. No futuro, poderão funcionar como minicentros de distribuição do comércio eletrônico para agilizar entregas.

Desde o início do ano, está em operação no país uma plataforma que conecta quem tem espaço disponível com quem está à procura de áreas para locação. Ela atua em 200 cidades, incluindo todas as capitais e o Distrito Federal. “Queremos ser o ‘Airbnb’ do armazenamento”, diz Mario Quintanilha, CEO da startup All In Storage.

Ex-executivo e acionista da Aliansce Sonae, do setor de shoppings, Quintanilha diz que a inspiração do negócio veio de uma necessidade pessoal. De mudança de São Paulo para Florianópolis (SC), acabou deixando os pertences em dois quartos na casa de um amigo. Após o primeiro ano de ocupação, resolveu pagar um aluguel. “A ideia de ter uma empresa de compartilhamento de armazenagem veio daí.”

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Nos Estados Unidos, há empresas de compartilhamento de armazenagem em áreas de vizinhança, como a Neighbor, assim como no Canadá, na Austrália e na Europa. Mas no Brasil o segmento é muito novo.

Aqui até o mercado de self storage, que são grandes companhias voltadas para a guarda de objetos, está engatinhando. Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), aponta dois obstáculos ao avanço do self storage no país: não fazer parte da cultura do brasileiro e o valor da locação ser alto para o mercado.

Pandemia

A startup que começou a operar na pandemia foi turbinada por ela. Com a queda na renda provocada pela paralisação de atividades, várias pessoas começaram a locar cômodos vagos da casa para armazenagem, a fim de obter uma renda extra.

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Esse foi o caso do consultor financeiro autônomo Fabio de Paula. Em abril, ele decidiu alugar por meio da plataforma a garagem vaga. “Era um cômodo independente da casa, que estava em reforma”, explica.

E encontrou um interessado em guardar os móveis no local. Pela locação, de Paula recebe cerca de R$ 300 por mês, após descontos da comissão mensal da startup, que varia entre 15% e 20% por promover o “match”.

Na plataforma, o aluguel oscila entre R$ 10 a R$ 15 o metro quadrado, a metade de uma locação em self storage, diz o executivo. Outras vantagens são a burocracia reduzida, a locação mínima de um mês e o processo todo online.

O que joga contra é que, em caso de sinistro, a responsabilidade é só do locador, de acordo com os termos do contrato da startup.

Novo negócio

O engenheiro Bruno Yoshida foi outro que entrou no segmento de compartilhamento de armazenagem por causa da pandemia. Quando a crise sanitária começou, ele tinha alugado um galpão para abrir uma loja de autopeças e aguardava só a licença para funcionar.

Com o lockdown, desistiu da loja física. Na época, pensou em devolver o galpão. Mas, fuçando na internet, descobriu a plataforma e um novo destino para o espaço vago: compartilhamento de armazenagem. “Foi no susto, pois eu e meu sócio tínhamos outro projeto.”

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Yoshida dividiu o galpão em boxes e abriu uma empresa, a iBox. Hoje tem 30 boxes de armazenagem, dos quais 16 estão locados. A expectativa é de chegar a 80 boxes neste ano.

“Ainda não estou lucrando, mas o cenário é muito bom”, diz o engenheiro. Ele aluga 40% do espaço por meio da plataforma e o restante por conta própria. Entre os clientes há famílias se mudando, profissionais liberais que reduziram consultórios e os pequenos e-commerces.

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