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Diante da perspectiva de manutenção da taxa básica de juros em 13,75% ao ano por mais tempo, quem aplica na renda fixa está cheio de motivos para festejar. Títulos públicos, por exemplo, valorizaram até perto de 10% ao longo deste ano, segundo dados do Tesouro Direto.
O destaque está nos papéis atrelados à Selic, como o Tesouro Selic 2027, cujo preço subiu 9,74% ao longo de 2022, seguido pelo Tesouro Selic 2025, que registrou valorização de 9,46% neste ano, indicam os dados compilados até quinta-feira (6).
Os papéis estão entre as recomendações elencadas pelo Itaú BBA em sua carteira sugerida de Tesouro Direto para outubro, com uma alocação correspondente a 60% do portfólio de títulos públicos. O InfoMoney compilou ainda as indicações da Rico Investimentos e do Santander para o mês, já que ambas disponibilizam sugestões para a renda fixa pública.
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Lucas Queiroz, estrategista de renda fixa para pessoa física do Itaú BBA, defendeu em relatório a manutenção do Tesouro Selic 2025 na carteira de outubro. O estrategista simulou três cenários para a taxa básica de juros: um em que ela terminaria 2023 em 9,75% ao ano, outro a 11% ao ano e um terceiro a 12% ao ano. Nos cálculos de Queiroz, a rentabilidade obtida com o papel caso ele fosse mantido até o fim de 2023 seria de 11,90% a 13,10% ao ano.
Ou seja: mesmo se a Selic encerrasse o ano que vem em níveis mais baixos do que os 13,75% atuais, a rentabilidade de um título pós-fixado atrelado à taxa básica de juros até o fim do próximo ano seguiria atrativa, na avaliação de Queiroz.
Enquanto o Itaú BBA prefere a alocação no Tesouro Selic 2025, a Rico Investimentos recomenda uma posição no Tesouro Selic 2024, que é vendido em algumas plataformas (e não no Tesouro Direto). Já as demais alocações da casa estão concentradas em papéis prefixados e títulos atrelados à inflação.
Olho nos prefixados
No caso dos papéis prefixados, o Tesouro Prefixado 2025 é o preferido da Rico por ser o papel de prazo mais curto disponível hoje no Tesouro Direto. Ao ser questionada pela reportagem, a corretora respondeu que está evitando alongar muito os vencimentos dos títulos para reduzir a exposição ao risco, diante das incertezas no cenário doméstico e internacional.
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Ainda que as perspectivas sejam de queda para a Selic a partir do ano que vem – o que tende a favorecer a exposição a prefixados, já que eles permitem “travar” uma taxa mais elevada do que as projetadas para os próximos anos, as alocações em títulos desse tipo seguem baixas na carteira de algumas casas.
No caso do Itaú BBA, por exemplo, a posição em títulos prefixados corresponde apenas a 15% da carteira de títulos públicos, abaixo do percentual alocado em pós-fixados atrelados à Selic (60%) e à inflação (25%).
Segundo Queiroz, os títulos prefixados ainda têm espaço para se beneficiar com a expectativa de queda da Selic daqui para frente, mas a intensificação das discussões fiscais ao longo do segundo turno deve trazer volatilidade aos juros oferecidos por esses papéis.
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Na hora de selecionar, os preferidos da casa são o Tesouro Prefixado 2025 e o Tesouro Prefixado 2029. Na avaliação do estrategista do Itaú BBA, ambos podem se beneficiar do cenário atual em que as taxas de juros estão em patamar restritivo, o preço das commodities está em queda e a desoneração de impostos pressionou os preços de alguns itens essenciais para baixo. Tudo isso, diz, ajudou a reduzir as expectativas de inflação de longo prazo – e consequentemente, das taxas de juros.
Segundo o último Relatório Focus, do Banco Central, as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estão em 5,74% em 2022, 5% em 2023, 3,50% em 2024 e 3% em 2025.
Proteção do patrimônio segue sendo importante
Nesse sentido, títulos públicos atrelados à inflação devem ser mantidos na carteira de quem busca proteger o patrimônio. Em relatório enviado a clientes, Ricardo Peretti, estrategista pessoa física do Santander, defende que o Tesouro IPCA+ 2035, por exemplo, é o papel com melhor vencimento para uma alocação mais tática da carteira. Por isso, foi o escolhido do mês pela casa.
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“Se os ventos domésticos se provarem favoráveis para os ativos de risco (menor ruído eleitoral, inflação convergindo à meta e promessas de responsabilidade fiscal em 2023), podemos ver um menor prêmio de risco para os títulos reais, favorecendo a marcação a mercado dos mesmos”, pondera Peretti.
De acordo com o Relatório Focus desta semana, economistas consultados pelo Banco Central acreditam que a taxa básica de juros deve encerrar este ano em 13,75%, recuar para 11,25% em 2023 e cair para 8% e depois 7%, em 2024 e 2025, respectivamente.
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Ou seja, o estrategista do Santander acredita que o papel pode se beneficiar das perspectivas de cortes na Selic a partir do ano que vem, o que levaria à queda nas taxas e consequentemente, ao aumento nos preços dos títulos públicos.
O efeito da alta nos preços dos títulos, em momentos de recuo das taxas de remuneração, tem origem na chamada marcação a mercado. Durante a existência de um papel, seu preço é marcado diariamente conforme as taxas que o mercado precifica a cada dia.
Na prática, os papéis prefixados e atrelados à inflação costumam valorizar quando as taxas de juros estão em tendência de queda. O contrário também é verdadeiro: os preços dos papéis normalmente caem quando as taxas de juros sobem, como estava ocorrendo nos meses anteriores, enquanto o mercado precificava uma provável continuação do ciclo de aperto monetário. Por isso, até o vencimento, alguns papéis ficaram com rentabilidade negativa em alguns momentos deste ano.
O Tesouro IPCA+ 2035 também está entre as indicações da Rico Investimentos e do Itaú BBA, juntamente com o Tesouro IPCA+ 2026, que são recomendados por ambas as casas. Segundo Queiroz, do Itaú BBA, a alocação focada nesses prazos é porque papéis mais curtos – com vencimento entre um e dois anos – não permitem absorver ganhos relevantes diante de um cenário de redução das taxas de juros reais.
“Neste momento, os pós-fixados são uma alternativa mais interessante a possíveis surpresas altistas no IPCA, podendo os títulos IPCA+ de prazo intermediário, como o nosso sugerido Tesouro IPCA+ 2026, por exemplo, ser um papel com melhor perspectiva de retorno”, afirmou o estrategista.
Na visão da Rico Investimentos, tais títulos representam também boas opções para quem deseja proteger o patrimônio sem alongar muito os vencimentos. A razão é simples: quanto maior o prazo, maior tende a ser o efeito da marcação a mercado, já que o título fica mais sensível às oscilações do mercado.