CCR (CCRO3) fecha acordo e poderá operar concessão de Barcas no Rio de Janeiro até 2025: qual o impacto para a ação?

Empresa está resolvendo reclamações de reequilíbrio econômico, o que deve contribuir para o fortalecimento de seu balanço, apontam analistas

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A CCR (CCRO3) anunciou na última sexta-feira (3) um acordo com o governo do estado do Rio de Janeiro (RJ) sobre a concessão de Barcas, que liga a capital a Niterói, Angra dos Reis e Mangaratiba, por até mais dois anos após o vencimento do prazo de concessão, na semana que vem.

Segundo o fato relevante, o acordo “dará ao Estado prazo de até 24 meses para concluir os estudos e realizar licitação para nova concessão para exploração de serviços públicos de transporte aquaviário de passageiros”.

O acordo implica: (i) o término do contrato original até 11 de fevereiro de 2023; (ii) obrigações indenizatórias do governo (cerca de R$ 800 milhões a serem pagos à CCR); e (iii) transição operacional para um processo de releilão (a CCR operará Barcas por até 24 meses a partir da data original, com custos reembolsados ​​pelo governo estadual).

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“Vemos o acordo como positivo, pois garante à CCR uma indenização financeira há muito esperada e traz uma solução definitiva para o fim da concessão”, destaca a XP.

Os analistas da casa destacam que Barcas é uma concessão relativamente pequena para a CCR (apenas 1% da receita líquida nos últimos doze meses). No entanto, as discussões pendentes de reequilíbrio financeiro com o regulador do estado do Rio de Janeiro representam um valor significativo de cerca de R$ 1 bilhão de acordo com a CCR (cerca de 4% do valor de mercado).

A indenização financeira é garantida pelo contrato. Nesse acordo, o governo reconhece R$ 818 milhões em uma série de pagamentos a serem feitos à concessão: (i) R$ 226 milhões em março de 2023; (ii) R$ 228 milhões em quatro parcelas até 2023 (nos meses de fevereiro, maio, agosto, novembro) e (iii) R$ 364 milhões em fevereiro em 2024. Está ainda por definir um pagamento final adicional, que incluirá o reembolso dos custos operacionais da fase de transição dos próximos 12-24 meses.

A continuidade das operações também está assegurada. A XP ressalta que este contrato contempla uma fase de transição do término do contrato original (11 de fevereiro de 2023) por 12 meses, renováveis ​​por mais 12 meses (até 24 meses no total).

“Acreditamos que isso indica o compromisso da CCR com o órgão regulador (governo do RJ) e com a população ao garantir a continuidade do serviço de transporte público. Por fim, acreditamos que isso também reduz o risco de manchetes negativas para a CCR, já que o assunto tem estado constantemente presente nos jornais locais”, avalia.

Para o Bradesco BBI, as notícias são positivas para a CCR, para a qual tem recomendação outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra) com preço-alvo de R$ 17,00, pois a empresa está resolvendo suas reclamações de reequilíbrio econômico, o que deve contribuir para o fortalecimento de seu balanço.

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“Pelas nossas estimativas, esse reequilíbrio econômico deve somar R$ 0,23 por papel CCRO3 (após impostos), com base no valor já divulgado (R$ 818 milhões), ou R$ 0,28 por papel CCRO3 se o acordo final chegar a cerca de R$ 1 bilhão, visto que o o desempenho operacional não melhorou nos últimos cinco anos”, avalia o banco.

O BBI aponta que esses recursos podem ajudar a empresa a manter a alavancagem financeira abaixo de 3 vezes a relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) esperado para 2023, aumentando seu poder de fogo para licitar novas concessões.

O JPMorgan destaca que continua a apreciar a previsível geração de fluxo de caixa da CCR dada a resiliência do tráfego e seu histórico comprovado no espaço de infraestrutura e vê a empresa bem posicionada para participar do pipeline de infraestrutura no Brasil.

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“No entanto, continuamos menos otimistas com o caso devido ao ambiente macro mais desafiador no Brasil, com taxas de juros crescentes e crescimento econômico desinteressante, bem como falta de gatilhos no curto prazo. Mantemos nossa classificação neutra para as ações”, aponta o banco.