Sabesp (SBSP3) terá reestruturação, na busca por reduzir custos, e pretende despoluir rio Tietê 

Companhia pode abrir PDV, irá revisar contratos e contratou consultoria para estudar frentes de possíveis reduções de custos

Vitor Azevedo

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Com uma nova gestão há alguns meses, formada por executivos indicados pelo novo governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Sabesp (SBSP3) passará, ao longo deste ano, por algumas reformulações. Entre as principais mudanças prometidas estão novas tendências, como a reestruturação das diretorias focando em uma companhia mais enxuta e em oportunidades, e também velhas promessas, como a despoluição do rio Tietê.

As falas foram feitas durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre da estatal, realizada na manhã desta terça-feira (28). A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo divulgou, na última sexta, números que foram considerados um pouco negativos pelo mercado, com pressão do lado dos custos e menores margens.

“Temos um plano estratégico novo para a companhia, com uma nova diretoria e uma proposta de mudança de diretrizes já em curso. Obviamente, estamos esperando a decisão da assembleia para que a gente possa implementar plenamente dentro de cada uma dessas alavancas que estão na tela”, comentou o diretor executivo (CEO) André Salcedo.

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De acordo com o executivo, a Sabesp deve considerar, por exemplo, um eventual programa de demissão voluntária (PDV) e o congelamento de contratações. Além disso, a empresa deve bater na revisão de contratos com fornecedores de itens de recorrentes e irá melhorar o seu sistema de licitações e contratações, uniformizando os processos.

A companhia contratou uma consultoria que irá mapear possíveis pontos para a redução de custos.

“Quanto à transformação organizacional, estamos buscando integrar algumas áreas que hoje são muito separadas, unidades muito autônomas, e que poderiam ser mais integradas do ponto de vista de processo.  Vamos rever as metas tanto da diretoria quanto da companhia para que a gente possa voltar a refletir o que a gente entende como mais adequado, para garantir quem mais eficiência, mais agilidade na tomada de decisão”, afirmou Salcedo.

O executivo quer uma Sabesp mais competitiva, crescendo para novos mercados e criando valor para os acionistas. Foi criada, por exemplo, uma diretoria de regulação e de novos negócios, sob Bruno D’Abadia, e uma focada em clientes.

Por fim, a Sabesp ainda espera que o aumento tarifário de maio irá impulsionar seus resultados. De algo entre 6% a 7% propostos em audiência pública, a estatal espera uma alta de 10% a 12%, cobrindo a inflação e uma tarifa extraordinária.

O CEO afirmou que por enquanto a programação de investimento da Sabesp em 2023, da ordem de R$ 5,2 bilhões, não muda – mas a empresa está analisando o plano, que foi herdado da gestão passada, e deve trazer novidades no futuro próximo.

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“Todo investimento da companhia serão focados nas nossas prioridades. São eles, primeiro, os investimentos ambientais, a garantia de segurança para os nossos colaboradores e o atendimento das nossas metas contratuais”, defendeu o CEO.

Por fim, a nova diretoria da Sabesp ainda afirmou que irá trazer, na próxima sexta-feira, um novo programa de despoluição do rio Tietê.

O JP Morgan, em relatório, definiu o discurso dos executivos como positivos mas destacou que, por agora, a companhia ainda não trouxe quais serão os impactos das mudanças em seu resultado de forma qualitativa e quantitativa.