Publicidade
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (29) cortar a Selic, taxa básica de juro, em 0,25 ponto percentual (p.p.) para 14,25% ao ano, em sua quarta reunião de 2026. Foi a terceira queda seguida da taxa e a decisão foi unânime.
O Copom iniciou um ciclo de afrouxamento monetário moderado em março, após manter a Selic em 15% durante o segundo semestre de 2025.
A decisão foi em linha com o esperado, uma vez que a aposta majoritária do mercado era de que o Comitê reduzisse a Selic em 0,25 ponto percentual.
Na reunião anterior, em abril, por unanimidade, o Copom cortou os juros em 0,25 ponto percentual, sendo na ocasião a segunda vez seguida que o comitê reduziu os juros, mas o corte ocorreu em ritmo menor. Como justificativa, foram apontadas as incertezas sobre os desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e as expectativas para inflação em alta por período mais prolongado.
Com a decisão, o BC manteve o ritmo gradual de flexibilização, mas reforçando uma mensagem de cautela diante da inflação ainda elevada e de um ambiente de incertezas tanto no cenário externo quanto doméstico.
No comunicado, a autoridade monetária destacou que o ambiente global segue desafiador, marcado por volatilidade de ativos e commodities em meio à indefinição sobre os desdobramentos do acordo para cessar os conflitos no Oriente Médio. Segundo o BC, esse contexto exige prudência por parte de economias emergentes, como o Brasil.
Continua depois da publicidade
No front doméstico, o diagnóstico do Comitê é de uma atividade econômica ainda resiliente no início do ano, com aceleração no primeiro trimestre puxada por setores cíclicos e um mercado de trabalho robusto. Ao mesmo tempo, a inflação voltou a mostrar sinais de pressão, com medidas cheias e subjacentes se afastando da meta e superando o limite superior do intervalo de tolerância.
As expectativas também seguem desancoradas. De acordo com o relatório Focus, o mercado projeta inflação de 5,30% em 2026 e de 4,10% em 2027 — ambos os níveis acima da meta. Já as projeções do próprio Copom indicam inflação de 3,7% no quarto trimestre de 2027, ainda distante do centro da meta, reforçando o desafio para a política monetária.
O Banco Central ressaltou que o balanço de riscos permanece assimétrico e mais elevado do que o usual. Entre os vetores de alta, o Comitê mencionou a possibilidade de desancoragem prolongada das expectativas, pressões persistentes nos preços de serviços, impactos de choques de oferta — especialmente ligados ao petróleo e à energia —, além do risco de câmbio mais depreciado e estímulos à demanda acima do esperado.