Pessimismo? BTG relembra os 8 motivos para estar “bullish” e prever Ibovespa a 86 mil pontos

Estrategistas do banco reiteraram confiança com as reformas e apontaram que o Ibovespa está atrativo

Lara Rizério

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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SÃO PAULO – O ânimo com o mercado acionário brasileiro já foi maior. Após superar o patamar de 69 mil pontos no final de fevereiro (dia 21, mais precisamente), renovando a máxima em seis anos, o Ibovespa já acumula queda superior a 7%, em meio a diversos fatores, tanto internos quanto internacionais. Assim, o benchmark da bolsa passou de uma alta acumulada de quase 15% no ano para ganhos de pouco mais de 5%.

Lá fora, se o cenário era de otimismo com o plano de Donald Trump para revitalizar a economia dos EUA, os primeiros desafios do presidente no Congresso, além das tensões geopolíticas com a Síria e Coreia do Norte azedaram os mercados pelo mundo – e o Brasil não foi exceção. A queda das commodities ajudou a corroborar o cenário de maior cautela internacional. Por aqui, os sinais de alerta de maiores dificuldades do governo para aprovar reformas – principalmente a Reforma da Previdência – mostraram que talvez o mercado pode ter ignorado o risco político e a proximidade das eleições presidenciais de 2018 para a aprovação da reforma. 

Porém, há sinais para se ter otimismo com o mercado, de acordo com o BTG Pactual, relembrando alguns pontos que fizeram com que o mercado ficasse otimista com o Brasil – e destacando que eles ainda estão no radar. Apesar de alguns riscos no front político, os estrategistas do BTG Pactual destacaram razões para seguirem “bullish” com o Brasil – oito motivos, mais precisamente.  Os estrategistas Carlos Sequeira e Bernardo Teixeira apontam quatro razões com relação ao valuation e ao fluxo e outras quatro que levam em conta a economia e a política. 

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São eles: i) valuation relativamente atrativo, com o Ibovespa negociando em linha com a média histórica (13,2 vezes ante 13 vezes a média histórica), devido aos baixos lucros; ii) o potencial de valorização continua grande (o alvo de preço sobre lucro de 17 vezes oferece um potencial de valorização acima de 30%, com o Ibovespa a 86 mil pontos); iii) os estrangeiros e locais ainda estão com exposição abaixo da média no país e iv) as mudanças políticas podem trazer ciclos positivos de longo prazo.

Além disso, os estrategistas veem melhora na economia, com os v) primeiros sinais de recuperação econômica (criação de empregos pela primeira vez em 22 meses, confiança do consumidor e dos negócios melhorando, produção de veículos e industrial mais forte); vi) lucros devem apresentar expansão por conta de alavancagem operacional e financeira (é esperado um crescimento de 18% na comparação anual em 2017 e 18.3% em 2018, excluindo os balanços de Petrobras e Vale); vii) há otimismo com as aprovações das reformas (em meio à forte aliança política do governo) e viii) índices de aprovação de Temer devem subir com a melhora na confiança do consumidor (trazendo melhores perspectivas para as eleições de 2018).

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  1. Valuation relativamente atrativo

    Os estrategistas apontam que, mesmo com o Ibovespa tendo alta de 49,1% em termos locais e 88% em dólares nos últimos quinze meses, o índice ainda é negociado a um valuation atrativo, Excluindo Petrobras e Vale, o benchmark da bolsa é negociado a 13,2 vezes o preço sobre o lucro, um pouco acima da média histórica. “Desde que, em 2017, as perspectivas de lucros sigam baixas mas apontem para recuperação em meio à retomada econômica, a negociação perto da média histórica parece atrativa”, ressaltam.

  2. Sequeira e Teixeira fizeram algumas simulações para o Ibovespa. Num cenário em que assume que as reformas vão passar e a economia comece a crescer, o potencial de valorização para o Ibovespa é grande. “Discutir taxas de juros reais de cerca de 3% pode ser um pouco prematuro, mas se as reformas passarem, o debate sobre taxas reais mais baixas podem voltar para o centro da discussão”, afirmam.
  3. “Assumindo um ROE (Retorno sobre o patrimônio líquido) de 15%, crescimento de 6% (3% de inflação, 3% de crescimento real) e um Ke (cost of equity) de 9,5%
    (inflação de 3%, prêmio de risco de ações de 3% e taxas de juros reais de 3,5%) e uma relação entre preço sobre o lucro de 17,1 vezes, o que implica uma meta para o Ibovespa de 86 mil pontos e potencial de 33% (cenário 4). Vale destacar que o cenário 5 da instituição implica o Ibovespa acima dos 100 mil pontos, mas o cenário não é o base.
  4. Veja os 5 cenários do BTG para o Ibovespa:
  5. Ciclos positivos no radar

    Os estrategistas do banco também destacaram a possibilidade de um novo ciclo positivo após analisar uma série do Ibovespa (em dólares) que remonta aos anos 80 e identificaram catalisadores duradouros, geralmente desencadeados por acontecimentos políticos-chave que levaram o Ibovespa a registrar “performances extraordinárias”.

  6. O rali anterior começou com a eleição do presidente Lula e durou seis anos,
    terminando em meados de 2008 com a crise financeira global.  “Já o impeachment da presidente Dilma Rousseff pode ter começado um ciclo novo. O presidente Temer estará no cargo por dois anos e meio antes da eleição presidencial de 2018
    e, se suas políticas forem bem-sucedidas, poderiam ajudar a ele ou ao seu grupo político assegurar o poder presidencial por um período de mais quatro anos”, avaliam os estrategistas.
  7. Confira o gráfico que aponta o possível novo ciclo positivo para o Ibovespa:
  8.  Reformas irão passar, avalia BTG

    De acordo com os estrategistas, apesar de todo o barulho político ultimamente, o presidente Temer tem uma sólida coalizão política, formada por vários partidos. e sua experiência como congressista (ele presidiu a Câmara dos Deputados por três mandatos) e como presidente do PMDB lhe dão as credenciais para formar e administrar uma coalizão tão complexa. 

  9. “De fato, desde que Temer tomou posse, o governo votou e aprovou a maioria dos
    projetos de lei que ele apoiou, incluindo algumas leis-chave. Em votações mais recentes, a obtenção do apoio majoritário se mostrou mais difícil. Claramente, votar e aprovar a reforma Previdenciária é o principal desafio da Presidência de Temer”, apontam.
  10. Os analistas destacaram um estudo preparado pelos assessores políticos do governo em que, em 161 sessões de votação de maio a dezembro de 2016, 80% da base aliada da Câmara dos Deputados apoiaram o governo em mais de 50% dos votos, enquanto 45% apoiavam o governo em mais de 70% das sessões de votação. O nível de apoio é ainda maior no Senado, onde 86% dos senadores têm apoiado o
    governo em mais de 50% das votações (62% em mais de 70% das sessões).
  11. Aprovação de Temer vai subir?

    Por fim, o BTG reitera uma avaliação feita no mês passado em torno da popularidade do presidente (para ver mais, clique aqui). A última pesquisa CNI/Ibope apontou que apenas 10% da população brasileira aprova o governo Temer, mostrando a alta impopularidade do presidente e os estrategistas apontam que evidências empíricas sugerem ser altamente improvável que um presidente possa ser reeleito com menos de 35% de aprovação. Isso gera preocupação no mercado, avalia o BTG, uma vez que os baixos índices podem impedir que um candidato de centro-direita associado a uma agenda de reformas tenha um bom desempenho nas eleições presidenciais de 2018.

  12. “O mercado teme que, se a oposição vencer em 2018, as reformas podem ser interrompidas e a política econômica pode ser revisada”, avaliam. Contudo, a confiança dos consumidores tem aumentado e, à medida que a economia
    retome, os índices de aprovação do presidente devem subir, uma vez que estes dois dados estão estreitamente correlacionados. Assim, seria razoável esperar que
    os índices de aprovação do presidente Temer aumentem conforme a confiança do consumidor melhore”, reforça o BTG.
  13. Assim, o BTG aponta: há motivos para ter otimismo com a Bolsa, mesmo que agora o movimento possa não ser tão “brilhante” assim. 
  14. Confira o gráfico em que relaciona a confiança do consumidor com a aprovação presidencial:

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.