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SÃO PAULO – Para uns, nada mais que um emaranhado de gráficos sem grande fundamento teórico por trás. Para outros, alvo de intensos estudos e tratamento científico. Por conta desta discrepância de opiniões, a análise técnica vem atraindo críticas na mesma proporção de adeptos ao longo dos últimos anos.
A fim de entender melhor a percepção do público, a InfoMoney perguntou, em enquete, aos seus leitores: Qual é a sua relação com a análise técnica? Como resultado, dos 2.071 participantes da votação, 32,01% dizem não acreditar na metodologia de análise.
Pela definição mais clássica, a análise técnica busca antecipar o movimento dos preços através de padrões ocorridos no passado, ou seja, de encontro com a hipótese de eficiência de mercado em sua forma fraca.
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O que seria “não acreditar em análise técnica”? A ideia de que um Ombro-Cabeça-Ombro, uma Bandeira, ou até uma Cunha Descendente detêm a capacidade de determinar comportamentos futuros de um ativo pode parecer fantasioso para esta parcela descrente de investidores.
Um caso de esquizofrenia?
Ao identificar um Cup and Handle, por exemplo, o grafista estaria confiando sua decisão de investimentos e o seu dinheiro a um gráfico que forma a figura de uma xícara com alça? A análise técnica vai muito além do limite do grafismo, constituído basicamente pelos sinais dos candlesticks e padrões gráficos, chegando a fundo aos indicadores técnicos e Money Management, onde a pesquisa é finalmente substituída pelo empirismo.
Ai é que reside a diferença entre um grafista (que só utiliza o gráfico para operar) e um analista técnico (só utiliza os sinais dos indicadores técnicos para operar), que, apesar de serem colocados no mesmo balaio, são figuras diferentes.
Ao utilizar uma estratégia moldada exclusivamente por candlesticks e padrões gráficos, o trader procura prever o futuro do mercado através do movimento dos preços. Sendo puramente técnico e com o uso do manejo de risco, ele busca unicamente as oscilações dos ativos, sendo que lhe importa apenas a estratégia de saída, passível de previsão. É importante lembrar que é perfeitamente possível mesclar grafismo com indicadores técnicos, mas há necessidade de critério metodológico para definir quais sinais priorizar ao operar.
Aos que creem…
A enquete promovida pela Infomoney mostrou ainda que aqueles que afirmam possuir bastante conhecimento e operar somente através da análise técnica são minoria. Dentre os votantes da enquete, esta parcela representa somente 14,24% dos investidores.
É sempre importante frisar que não existe método algum que prevê o futuro, por isso a insistência de diversos estudiosos e praticantes da análise técnica para que o investidor utilize um bom stop loss e conheça muito bem os indicadores técnicos, sem falar na necessidade da análise estatística.
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O recado é semelhante para os 20,62% que dizem ter algum conhecimento sobre análise técnica e utilizar suas ferramentas nas decisões de investimento junto com a análise fundamentalista, desmistificando também que as duas escolas não podem se misturar. Só é necessário entender que cada uma tem seu lugar.
Por fim, aos 15,84% dos investidores que disseram ter algum conhecimento e utilizam algumas vezes a análise técnica nas suas decisões de investimento, fica aberto o convite para se aprofundarem mais sobre o assunto e irem em busca de novas estratégias de operação para lucrarem cada vez mais no mercado.
| Não acredito em análise técnica | 32,01% |
| Tenho algum conhecimento e utilizo nas minhas decisões junto com a análise fundamentalista | 20,62% |
| Tenho algum conhecimento e utilizo algumas vezes nas minhas decisões de investimentos | 17,29% |
| Tenho pouco conhecimento e não a utilizo nas minhas decisões de investimentos | 15,84% |
| Tenho bastante conhecimento e opero somente através da análise técnica | 14,24% |