Publicidade
SÃO PAULO – As notícias bem negativas para a OGX Petróleo (OGXP3) desde a semana passada – após anunciar que a produção da empresa no campo de Tubarão Azul será bem abaixo do esperado – se refletiram de forma direta na percepção dos analistas sobre as ações da companhia.
Em meio à forte queda no ano, de 53,89%, os papéis OGXP3 foram recomendados apenas por duas corretoras no portfólio de julho, ante quatro recomendações no mês anterior. Em relação a maio, essa piora de perspectiva é ainda mais perceptível, já que naquele mês a OGX figurava em 10 carteiras recomendadas – a terceira ação mais sugerida no período, ficando atrás apenas de Vale (VALE5, 15 recomendações) e Petrobras (PETR4, 13 recomendações), segundo levantamento feito pelo Portal InfoMoney.
E mesmo as corretoras que mantiveram OGX em carteira estão mais cautelosas com o papel. É o caso da Planner, que reduziu a participação dos papéis da petrolífera do grupo EBX em 3 pontos percentuais, passando de 8% para 5%. Embora a equipe de análise da corretora acredite que a recente queda das ações deve ser em parte revertida no período, a redução de participação visa, principalmente, “diminuir a volatilidade da carteira”.
Continua depois da publicidade
Outra corretora que optou em manter as apostas em OGX, a Geração Futuro manteve o peso de 5% dos papéis, após ter reduzido sua posição em 5 pontos percentuais de maio para junho.
De 10 para 2
Muita coisa mudou entre maio e julho para a OGX. No quinto mês do ano, a Técnica Assessoria de Investimentos – uma das 10 que possuíam OGX em carteira – baseou sua recomendação em função de seu ótimo histórico de prospecção, além da maior credibilidade do grupo, com o início do processo de abertura do primeiro poço no começo de 2012 e o contrato de comercialização com a Shell. Já o HSBC viu como catalisadores positivos a reclassificação de uma parte dos recursos contingentes de reservas e a quarta avaliação de recursos, além do movimento de alta no preço do petróleo.
No mês seguinte, entretanto, a petrolífera passou a ter apenas quatro recomendações, em meio à piora do cenário externo, devido ao forte cenário de volatilidade com o desenrolar da crise europeia. De acordo com a Ativa e o HSBC, que excluíram a ação da companhia no mês, como o ativo possui uma alta exposição ao risco as ações do setor de commodities seriam mais prejudicadas na possibilidade de agravamento da crise.
Entretanto, as piores referências para a empresa não vieram da Europa, e sim de dentro da própria companhia. Após informar a produção no campo de Tubarão, as ações da companhia tiveram forte queda, tomando o posto de maior baixa do Ibovespa no primeiro semestre.
Revisão de recomendações
Nesse cenário, embora a companhia afirme que a queda tenha ocorrido por uma interpretação “errada” por parte do mercado, algumas casas de análise, como Bank of America Merrill Lynch, JP Morgan, Credit Suisse e Deutsche Bank, optaram por rever suas estimativas em relação a produção da petrolífera, reduzindo também o preço-alvo e recomendação para as ações da petrolífera.
Além disso, agências de classificação de rating, como a Fitch e a Moody’s, reduziram a nota de crédito dos papéis da companhia e a perspectiva para a petrolífera. Segundo a companhia, o foco agora é em produção, reduzindo o número de sondas ativas para exploração.
Continua depois da publicidade
Metodologia InfoMoney
Ao todo, 24 carteiras de bancos e corretoras foram utilizadas para este levantamento. Os portfólios selecionados foram: Ativa, BB Investimentos, Bradesco, BTG Pactual, Citi Corretora, Coin, Geração Futuro, Geral, Gradual, HSBC, Omar Camargo (2 carteiras), PAX, Planner, Rico, SLW (3 carteiras), Socopa, Souza Barros, Um, XP (2 carteiras) e WinTrade.
Entre todas as carteiras publicadas pela InfoMoney em julho, nesta compilação apenas não foram considerados os portfólios com sugestões de ações que tenham perspectiva de pagamento de proventos.