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SÃO PAULO – São poucas as empresas brasileiras que possuem grande exposição à Venezuela, onde Nicolás Maduro – o presidente do país, conhecido como “O Homem que Antecipou o Natal”, que sucedeu Hugo Chávez na construção do “Socialismo do Século XXI” – sancionou uma lei que limita os lucros no país. Agora, na República Bolivariana, nenhuma empresa pode lucrar mais do que 30% de suas receitas.
Não é nenhum grande drama. 30% é uma margem líquida muito responsável – são pouquíssimas empresas que possuem lucro maior que isso. Porém, Maduro é um socialista à moda antiga, acredita que todos os problemas do mundo são em decorrência da “ganância dos empresários” e ignora que falta diversos produtos básicos em seus país – como papel higiênico – em decorrência da crise econômica lá vivida.
Como um Dom Quixote que luta contra moinhos, Maduro prefere culpar a iniciativa privada – o que, em países latino-americanos, é sempre uma medida popular. O problema é quando esse tipo de medida começa a ser levada a sério pelos países vizinhos e emulada por outras pessoas no poder. É o caso da Argentina, que começou a trilhar no caminho venezuelano e já acumula o segundo pior crescimento da América do Sul – à frente apenas do próprio país-modelo.
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Há um temor de que Dilma Rousseff siga essa medida e venha a tomar medidas similares que as de Maduro. Afinal, o PT é aliado histórico do PSUV, o partido fundado por Chávez para unir a esquerda do país. É infundado, embora o governo Dilma já tenha tentado definir o retorno dos empresários, os fez em um processo de concessões.
E o fracasso dessa tentativa fez o governo mudar de ideia e afrouxar as regras – o que permitiu o “sucesso” da recente rodada de concessões. O próprio PT é bastante criticado entre os movimentos de esquerda do Brasil por ter ido muito “à direita”. Se a decisão for de imitar Maduro, o PT estará fazendo uma medida extremamente impopular contra os setores produtivos e ajudará a espantar o capital internacional do Brasil. Assim como BRFoods (BRFS3) e Minerva (BEEF3), que possuem atividades no país bolivariano – mas com margens de 6% e 4%, estão longe do limite de 30% de Maduro.
Confira as empresas que sofreriam se Dilma imitasse Maduro:
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| Empresa | Ação | Margem Líquida |
| Geração Paranapanema | GEPA4 | 31,00% |
| Lopes Brasil | LPSB3 | 31,20% |
| Haga | HAGA4 | 31,61% |
| Cetip | CTIP3 | 33,35% |
| AES Tiete | GETI4 | 36,33% |
| São Carlos | SCAR3 | 37,51% |
| Multiplan | MULT3 | 37,53% |
| Cielo | CIEL3 | 39,56% |
| Iguatemi | IGTA3 | 44,20% |
| BR Properties | BRPR3 | 45,47% |
| QGEP | QGEP3 | 45,85% |
| EzTec | EZTC3 | 48,78% |
| Triunfo | TPIS3 | 50,52% |
| Tarpon | TRPN3 | 51,58% |
| BM&FBovespa | BVMF3 | 53,25% |
| Taesa | TAEE11 | 53,34% |
| BR Insurance | BRIN3 | 53,78% |
| Cyrela Commercial Properties | CCPR3 | 56,88% |
| Sondotécnica | SOND6 | 66,46% |
| Itaúsa | ITSA4 | 95,55% |
| Sonae Sierra | SSBR3 | 117,76%* |
| BR Malls | BRML3 | 127,66%* |
| *Afetado por fatores extraordinários | ||