Ah, se a moda pega: e se Dilma resolvesse limitar os lucros como Maduro fez?

Não é nenhum grande drama. 30% é uma margem líquida muito responsável - são pouquíssimas empresas que possuem lucro maior que isso

Felipe Moreno

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SÃO PAULO – São poucas as empresas brasileiras que possuem grande exposição à Venezuela, onde Nicolás Maduro – o presidente do país, conhecido como “O Homem que Antecipou o Natal”, que sucedeu Hugo Chávez na construção do “Socialismo do Século XXI” – sancionou uma lei que limita os lucros no país. Agora, na República Bolivariana, nenhuma empresa pode lucrar mais do que 30% de suas receitas. 

Não é nenhum grande drama. 30% é uma margem líquida muito responsável – são pouquíssimas empresas que possuem lucro maior que isso. Porém, Maduro é um socialista à moda antiga, acredita que todos os problemas do mundo são em decorrência da “ganância dos empresários” e ignora que falta diversos produtos básicos em seus país – como papel higiênico – em decorrência da crise econômica lá vivida. 

Como um Dom Quixote que luta contra moinhos, Maduro prefere culpar a iniciativa privada – o que, em países latino-americanos, é sempre uma medida popular. O problema é quando esse tipo de medida começa a ser levada a sério pelos países vizinhos e emulada por outras pessoas no poder. É o caso da Argentina, que começou a trilhar no caminho venezuelano e já acumula o segundo pior crescimento da América do Sul – à frente apenas do próprio país-modelo. 

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Há um temor de que Dilma Rousseff siga essa medida e venha a tomar medidas similares que as de Maduro. Afinal, o PT é aliado histórico do PSUV, o partido fundado por Chávez para unir a esquerda do país. É infundado, embora o governo Dilma já tenha tentado definir o retorno dos empresários, os fez em um processo de concessões. 

E o fracasso dessa tentativa fez o governo mudar de ideia e afrouxar as regras – o que permitiu o “sucesso” da recente rodada de concessões. O próprio PT é bastante criticado entre os movimentos de esquerda do Brasil por ter ido muito “à direita”. Se a decisão for de imitar Maduro, o PT estará fazendo uma medida extremamente impopular contra os setores produtivos e ajudará a espantar o capital internacional do Brasil. Assim como BRFoods (BRFS3) e Minerva (BEEF3), que possuem atividades no país bolivariano – mas com margens de 6% e 4%, estão longe do limite de 30% de Maduro.

Confira as empresas que sofreriam se Dilma imitasse Maduro:

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Empresa Ação Margem Líquida
Geração Paranapanema GEPA4 31,00%
Lopes Brasil LPSB3 31,20%
Haga HAGA4 31,61%
Cetip CTIP3 33,35%
AES Tiete GETI4 36,33%
São Carlos SCAR3 37,51%
Multiplan MULT3 37,53%
Cielo CIEL3 39,56%
Iguatemi IGTA3 44,20%
BR Properties BRPR3 45,47%
QGEP QGEP3 45,85%
EzTec EZTC3 48,78%
Triunfo TPIS3 50,52%
Tarpon TRPN3 51,58%
BM&FBovespa BVMF3 53,25%
Taesa TAEE11 53,34%
BR Insurance BRIN3 53,78%
Cyrela Commercial Properties CCPR3 56,88%
Sondotécnica SOND6 66,46%
Itaúsa ITSA4 95,55%
Sonae Sierra SSBR3 117,76%*
BR Malls BRML3 127,66%*
*Afetado por fatores extraordinários