O que está em jogo no protesto do dia 16 de agosto

O protesto do dia 16 pode ser a fagulha para Eduardo Cunha entrar com o pedido de impeachment. O principal ativo de um político é o apoio popular. Os deputados, inclusive do PT, têm votado contra o governo na Câmara. Se os parlamentares sentirem a pressão popular, colocam em votação. Até os próprios petistas reconhecem o risco da manifestação incendiar o ambiente político e o impeachment se tornar uma realidade. Independentemente do que virá a ocorrer, protestar no dia 16 não é golpe, é um direito e um exercício de cidadania.

Alan Ghani

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Primeiramente, vamos esclarecer que o protesto do dia 16 não será contra os velhos e bons entes abstratos, “o sistema”, “a corrupção“, e nem contra Eduardo Cunha (alô, imprensa, não vale pegar um cartaz isolado contra Cunha e generalizar, DESinformando a população). A mega manifestação marcada para domingo, dia 16 de agosto, tem um alvo específico, o governo do PT – pelo envolvimento nos casos de corrupção – e um objetivo claro: a abertura de processo de impeachment da presidente Dilma. Segundo o DataFolha, o impeachment é apoiado por 68% da população brasileira.

Em segundo lugar, pedir impeachment não é golpe porque é um instrumento previsto na Constituição. Não é um processo arbitrário, pois passa por votação na Câmara e julgamento no Senado.  Vale lembrar que as mesmas pessoas que pediam o impeachment do Collor são hoje as que falam em golpismo. Veja aqui o cinismo escancarado dessa turma. 

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Feito esse parêntese, vamos ao que interessa. O protesto do dia 16 pode ser a fagulha para Eduardo Cunha entrar com o pedido de impeachment. Explico. O principal ativo de um político é o apoio popular. Os deputados, inclusive do PT, têm votado contra o governo na Câmara. Se os parlamentares sentirem a pressão popular, colocam em votação. Político não é bobo, muito menos os do PMDB. Até os próprios petistas reconhecem o risco da manifestação: “Ministros e petistas afirmavam na semana passada que, dado o grau de enfraquecimento do governo, um ato massivo pró-impeachment poderia emparedar ainda mais a presidente. Alguns se arriscavam a afirmar que, se não houvesse reação, poderia ser “o começo do fim”. (FSP, 10.08, veja aqui). 

Se ocorrer impeachment, ele virá do PMDB. Não será a oposição frouxa do PSDB que derrubará Dilma, mas os interesses fisiológicos do PMDB, pressionados pelo apoio popular. Ah, mas se assumir o PMDB não vai continuar a mesma coisa?  É evidente que o Brasil não se transformará na Suíça da noite para o dia. Mas, por mais que possamos fazer críticas ao PMDB, ele não é o PT. Como já pontuei em entrevista para InfoMoney – conduzida pela jornalista Paula Barra (veja aqui) -, ao contrário do partido de Lula e Dilma, o PMDB não transformou a corrupção em algo justificável em nome de um projeto de poder.  É claro que o PMDB tem envolvimento com corrupção, conforme apurado na Lava Jato, mas a corrupção PMDBista é entendida como um desvio para enriquecimento ilícito dos participantes – o que já é grave e condenável – mas não é tratada como um mecanismo institucional para perpetuação no poder, travestida de “justiça social”. A corrupção petista é muito mais grave, pois além do evidente enriquecimento pessoal (vide Dirceu), está atrelada à ideia do fortalecimento do Partido- Estado, sendo uma ameaça às liberdades individuais, à democracia e ao bem estar econômico, comprovados por todos os regimes que flertaram com ideias totalitárias. Outro ponto, não menos grave, que diferencia o PMDB do PT, é que o partido de Eduardo Cunha e Michel Temer não é membro do FORO DE SÃO PAULO (veja aqui).

Por fim, destaco que protestar no dia 16 não significa que a população estará contra o país, conforme as mentiras que parte mídia e os petistas vendem por aí. O que eles querem? Que a sociedade produtora civil aceite PAGAR todos os erros e a corrupção cometidos pelos petista em nome dá governabilidade? Então é assim, o governo se envolve num esquema de corrupção bilionária, mente escandalosamente durante as eleições sobre a situação do país, acusa a oposição de golpista, distribuiu verbas públicas para um bando de gente que não produz (MST, UNE, sindicalistas pelegos, blogs sujos), favorece empresários corruptos via BNDES; estimula a divisão abjeta da sociedade no famoso “nós” contra “eles”, faz acordos para favorecer Cuba e Venezuela em detrimento dos interesses do Brasil , comete erros colossais na área econômica (inflação na casa dos  9%, queda de 2% do PIB e desemprego de 7%)   e diante de tudo isso quer que a sociedade civil  aceite  e pague tudo isso numa boa? Para quê? Para salvar a “companheirada” que vive de verba pública, do dinheiro dos impostos da classe que produz?  Para salvar  o projeto totalitário deles travestido sob o lindo chavão “justiça social”?  A sociedade civil que produz tem que aceitar tudo isso numa boa diante dos apelos cínicos, terroristas e arrogantes de um Zé de Abreu? Façam me um favor….

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Aceitar todos os descalabros petistas em nome do “pacto da governabilidade”, da “preservação das instituições” e outros jargões vazios vendidos por petistas e por parte da imprensa é, na melhor das hipóteses, fazer papel de idiota útil ou de covarde. Protestar no dia 16 não é golpe, é exercer sua cidadania.

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Alan Ghani

É economista, mestre e doutor em Finanças pela FEA-USP, com especialização na UTSA (University of Texas at San Antonio). Trabalhou como economista na MCM Consultores e hoje atua como consultor em finanças e economia e também como professor de pós-graduação, MBAs e treinamentos in company.