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SÃO PAULO – Bastante elogiado. Assim foi o balanço do segundo trimestre de 2017 da Lojas Renner (LREN3), com os analistas apontando um cenário bastante favorável para a companhia, que vem mostrando resiliência mesmo em um cenário bastante desafiador do ponto de vista macroeconômico.
Afinal, a companhia registrou um lucro líquido 10,7% maior na base de comparação anual, a R$ 193,6 milhões, enquanto a receita líquida ficou em R$ 1,831 bilhão entre abril e junho, uma alta de 11,1% em um ano. Já as vendas em mesmas lojas subiram 6,4%, acima do ritmo de 2,9% de um ano antes.
De acordo com o Credit Suisse, o número de vendas nas mesmas lojas reflete uma execução bastante sólida da companhia, em um ambiente de inflação em declínio. Além disso, apontam, a Lojas Renner provou que conduz o negócio financeiro de forma conservadora e que deve continuar a se beneficiar da nova política de “Meu Cartão”, menor inadimplência e um nível mais alto de recuperações. “De forma geral, o resultado nos pareceu alinhado com a estratégia da empresa e com o grande histórico de execução”, apontam os analistas. O Bank of America Merrill Lynch e o BTG Pactual também apontaram uma visão positiva, também com o segmento financeiro como o principal destaque.
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Porém, apesar dos bons números, o mercado parece, à primeira vista, não ter gostado do balanço. As ações chegaram a cair 4,27% na mínima do dia e operavam durante a sessão entre uma das maiores baixas do Ibovespa, com queda de cerca de 3%.
Alguns pontos do balanço foram vistos com ressalva, conforme aponta o Credit Suisse. O Ebitda de varejo subiu apenas 1% na base de comparação anual, em função de maiores despesas de vendas (13%) e maiores provisões para bônus (alta de 114%). Porém, apontam, quando se olha o resultado, fica claro que uma performance excepcional no segmento de crédito ofuscou o de varejo.
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Já o BofA apontou que, embora tenha havia coleções bem-sucedidas e ganhos contínuos de participação de mercado, as vendas foram limitadas pelo mau tempo e por uma queda na confiança do consumidor, à medida que o ruído político se intensificou. Além disso, houve uma baixa da margem bruta de varejo em 55 pontos-base apontando, entre outros fatores, que a atividade promocional no setor continuou a ser elevada. Mas, de um modo geral, o balanço foi positivo.
O BTG Pactual ressalta ainda para outros fatores para a fraqueza do papel nesta sessão: a ação vem subindo recentemente, já acumulando alta de cerca de 40% no ano. Além disso, o balanço já estava no preço o que leva ao chamado “sobe no boato, cai no fato”. Os analistas Fabio Monteiro e Luiz Guanais tem boas perspectivas para o papel, com captura de benefícios, bem como uma aceleração de vendas nas mesmas lojas no segundo semestre, ajudada por uma base mais fraca.
Os analistas do BTG ainda apontam que, caso o papel sofra na esteira dos balanços, essa pode ser uma oportunidade para compra no médio e longo prazos.
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Assim, tanto o BofA, quanto o BTG e o Credit possuem recomendação equivalente à compra para os ativos LREN3, com preços-alvos respectivos de R$ 30,20, R$ 27 e R$ 30,20.
Segundo o BofA, enquanto as expectativas pareciam muito altas para o resultado, os analistas continuam a ver a companhia entre uma das bem posicionadas do setor de vestuário no Brasil e buscando a consolidação da indústria para caminhar para um longo período de crescimento nas vendas da mesma loja. “Os serviços compartilhados expandidos e outras melhorias na estrutura de custos também posicionam a Renner para registrar uma alavancagem operacional mais forte nos próximos períodos. O melhoramento dos processos de abastecimento e distribuição também devem complementar as vantagens competitivas relativas da Renner, aumentando sua capacidade de identificar e atender às tendências de mercado, ao mesmo tempo em que reduz o risco de execução”, apontam os analistas do banco americano.
O BTG Pactual destaca ainda os benefícios de médio e longo prazo na estratégia push-and-pull (a estratégia push foca nos distribuidores, atacadistas e varejistas, enquanto a pull envolve ações para os consumidores finais), além dos projetos de supply-chain. Todos eles devem, em última análise, garantir um crescimento acima da média nos próximos anos. “Os sinais iniciais para o segundo são melhores em geral, e a base de comparação é mais baixa”.
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Por outro lado, o Credit destaca que, apesar do entusiasmo com os cases do setor de consumo, o valuation da Lojas Renner parece considerável, com uma relação de preço sobre o lucro de 24,3 vezes para 2018. Asssim, o prêmio da companhia em relação aos pares deve ser mantido, mas é pouco provável uma expansão significativa nos múltiplos.
Desta forma, os analistas de mercado seguem bastante otimistas sobre o case de Lojas Renner, mas possuem algum receio sobre o desempenho do papel, ainda mais levando em conta o valuation do papel. Porém, em meio à grande qualidade do ativo, alguns analistas apontam: a queda pode representar uma oportunidade, ainda mais para investidores de médio e longo prazos.
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