Moradia: cooperativas habitacionais conquistam a classe média

Cooperativas já constroem apartamentos de 4 dormitórios e os vendem a preços que chegam a R$ 600 mil

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SÃO PAULO – As cooperativas habitacionais estão cada vez mais atraentes. Depois de fazer sucesso entre as classes C e D, o sistema alternativo para aquisição de moradia começa a ganhar simpatia entre a classe média.

E o sucesso não é por acaso. As cooperativas habitacionais já constroem prédios com apartamentos de até quatro dormitórios e preços que chegam a R$ 600 mil.

A melhoria das edificações tem ainda a vantagem do preço. Segundo o presidente da Fecoohesp (Federação das Cooperativas Habitacionais do Estado de São Paulo), William Kun Niscolo, o preço de um apartamento de 55 metros quadrados pode ficar até 40% abaixo do valor de mercado.

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Como o objetivo dessas cooperativas é exatamente a construção de prédios a baixo custo, porque estão isentas de impostos como Cofins, PIS, Contribuição Social e IR, o resultado não poderia ser outro: só na segunda metade da última década, 40% de todos os lançamentos de imóveis foram realizados por cooperativas habitacionais.

Esses sistemas cooperativistas são gerados por sindicados, entidades de classe ou associações que não visam lucro. Mas para quem não pode ingressar em uma dessas instituições, basta procurar outras opções do gênero, abertas a qualquer pessoa interessada.

Procedimento

Depois de escolhida a cooperativa, o interessado assina um termo de ocupação que facilita sua posse. O futuro proprietário passa, então, a pagar o valor combinado à cooperativa, que, por sua vez, o repassa para a construtora. Já a correção monetária é feita com base no CUB (Custo Unitário Básico da Construção Civil), do Sinduscon-SP, ou pelo INCC (Índice Nacional da Construção Civil).

Os contratos costumam fixar um prazo máximo de 120 meses para o pagamento do imóvel, que fica em nome da cooperativa até a quitação do financiamento. O cooperado recebe a sua unidade por meio de um sorteio (como se fosse um consórcio), ou escolhendo o apartamento no momento em que adere ao sistema.

“Essa possibilidade de escolha é um ponto muito importante para a classe média, pois ela é exigente e tem mais poder aquisitivo”, afirma Cacá Della Libera, diretor da Orienta Coop, assessoria em gestão de cooperativas.

Inadimplência

Apesar de algumas cooperativas voltadas à classe média não terem sobrevivido no final dos anos 1990 graças a falhas administrativas e problemas com construtoras, os riscos atualmente são menores porque as organizações se profissionalizaram.

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A inadimplência no setor, por exemplo, é bastante baixa. Enquanto os financiamentos habitacionais no mercado amargam calotes entre 10% e 20% dos pagadores, esse número gira em torno de 7% quando a compra é feita por meio de alguma cooperativa habitacional.

“Quando um cooperado deixa de pagar as parcelas pelo período previsto em contrato, geralmente de três meses, ele é desligado do empreendimento e, com isso, deixa de ter direito sobre o imóvel”, informa Della Libera.

FGTS é recusado

Por enquanto os bancos ainda não reconhecem o cooperativismo habitacional, que não podem exigir financiamento, nem mesmo usar os valores disponíveis no FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) dos cooperados, pelo fato de que o sistema se enquadra como pessoa jurídica.

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As informações são do Diário do Comércio, periódico da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).