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A CCR (CCRO3) anunciou na última sexta-feira (3) um acordo com o governo do estado do Rio de Janeiro (RJ) sobre a concessão de Barcas, que liga a capital a Niterói, Angra dos Reis e Mangaratiba, por até mais dois anos após o vencimento do prazo de concessão, na semana que vem.
Segundo o fato relevante, o acordo “dará ao Estado prazo de até 24 meses para concluir os estudos e realizar licitação para nova concessão para exploração de serviços públicos de transporte aquaviário de passageiros”.
O acordo implica: (i) o término do contrato original até 11 de fevereiro de 2023; (ii) obrigações indenizatórias do governo (cerca de R$ 800 milhões a serem pagos à CCR); e (iii) transição operacional para um processo de releilão (a CCR operará Barcas por até 24 meses a partir da data original, com custos reembolsados pelo governo estadual).
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“Vemos o acordo como positivo, pois garante à CCR uma indenização financeira há muito esperada e traz uma solução definitiva para o fim da concessão”, destaca a XP.
Os analistas da casa destacam que Barcas é uma concessão relativamente pequena para a CCR (apenas 1% da receita líquida nos últimos doze meses). No entanto, as discussões pendentes de reequilíbrio financeiro com o regulador do estado do Rio de Janeiro representam um valor significativo de cerca de R$ 1 bilhão de acordo com a CCR (cerca de 4% do valor de mercado).
A indenização financeira é garantida pelo contrato. Nesse acordo, o governo reconhece R$ 818 milhões em uma série de pagamentos a serem feitos à concessão: (i) R$ 226 milhões em março de 2023; (ii) R$ 228 milhões em quatro parcelas até 2023 (nos meses de fevereiro, maio, agosto, novembro) e (iii) R$ 364 milhões em fevereiro em 2024. Está ainda por definir um pagamento final adicional, que incluirá o reembolso dos custos operacionais da fase de transição dos próximos 12-24 meses.
A continuidade das operações também está assegurada. A XP ressalta que este contrato contempla uma fase de transição do término do contrato original (11 de fevereiro de 2023) por 12 meses, renováveis por mais 12 meses (até 24 meses no total).
“Acreditamos que isso indica o compromisso da CCR com o órgão regulador (governo do RJ) e com a população ao garantir a continuidade do serviço de transporte público. Por fim, acreditamos que isso também reduz o risco de manchetes negativas para a CCR, já que o assunto tem estado constantemente presente nos jornais locais”, avalia.
Para o Bradesco BBI, as notícias são positivas para a CCR, para a qual tem recomendação outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra) com preço-alvo de R$ 17,00, pois a empresa está resolvendo suas reclamações de reequilíbrio econômico, o que deve contribuir para o fortalecimento de seu balanço.
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“Pelas nossas estimativas, esse reequilíbrio econômico deve somar R$ 0,23 por papel CCRO3 (após impostos), com base no valor já divulgado (R$ 818 milhões), ou R$ 0,28 por papel CCRO3 se o acordo final chegar a cerca de R$ 1 bilhão, visto que o o desempenho operacional não melhorou nos últimos cinco anos”, avalia o banco.
O BBI aponta que esses recursos podem ajudar a empresa a manter a alavancagem financeira abaixo de 3 vezes a relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) esperado para 2023, aumentando seu poder de fogo para licitar novas concessões.
O JPMorgan destaca que continua a apreciar a previsível geração de fluxo de caixa da CCR dada a resiliência do tráfego e seu histórico comprovado no espaço de infraestrutura e vê a empresa bem posicionada para participar do pipeline de infraestrutura no Brasil.
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“No entanto, continuamos menos otimistas com o caso devido ao ambiente macro mais desafiador no Brasil, com taxas de juros crescentes e crescimento econômico desinteressante, bem como falta de gatilhos no curto prazo. Mantemos nossa classificação neutra para as ações”, aponta o banco.