Colunista InfoMoney: Risco-retorno do mercado de trabalho

Em qualquer momento, pode-se ponderar perigos e recompensas: na escolha de um emprego ou na decisão de abrir uma empresa
Nos investimentos financeiros, vale a correlação positiva entre risco e retorno. Ou seja, quanto maior o risco do investimento, maior é o retorno esperado e vice-versa. Ações são investimentos mais arriscados e por isso tendem a ter maior retorno esperado; já a poupança é quase livre de risco, e por isso rende relativamente menos.

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A lógica é simples: se algo tem um retorno financeiro muito incerto – maior risco – eu, como investidor, vou exigir e esperar receber um prêmio pelo perigo de aplicar minhas economias neste ativo.

O que poucos sabem é que este conceito pode ser aplicado para muitas outras situações em nosso cotidiano, embora muitos já o apliquem de forma inconsciente. O exemplo mais típico é o caso do mercado de trabalho.

“Ánálise de risco-
retorno sempre
pode ser aplicada
em qualquer área”

Ao escolhermos onde mandar currículos, escolher entre duas oportunidades que aparecem,  ou termos que decidir sobre mudar de emprego ou não, a análise de risco-retorno sempre pode ser aplicada.

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Quando a dúvida é abrir uma empresa pequena ou trabalhar em uma empresa grande, pode-se ponderar: na empresa grande, é mais garantido eu manter minha empregabilidade, mas posso levar mais tempo para evoluir na carreira e terei mais concorrentes para isso.

Porém, possui retorno menor em relação ao de uma empresa pequena, na qual coloco minha carreira em risco por conta dos riscos inerentes à operação de um negócio pequeno. Por outro lado, se a companhia obtiver sucesso no mercado, ela crescerá de forma rápida, assim como minha carreira – e carteira.

Outros casos são os dos empregos oferecidos no exterior, em países subdesenvolvidos ou em regiões menos desenvolvidas do Brasil. Não é à toa que vagas nestes lugares sempre pagam mais que uma equivalente nos grandes centros.

Para uma pessoa sair do conforto do grande centro, onde existem outras oportunidades, e viajar para um lugar desconhecido, com risco não só de natureza profissional, mas também sociais, como a violência e presença de doenças endêmicas, esta pessoa certamente exigirá um salário mais alto.

Para os que prestam concursos públicos, isto também é verdade. Investir em concurso público é investir na poupança do mercado de trabalho. O sujeito que quer virar funcionário público não possui muita ambição profissional, pois os cargos públicos, ao contrário dos privados, possuem um teto salarial.

Ou seja, tem-se a garantia de estabilidade no emprego – menos risco-, porém com um limite de retorno. No mercado profissional das empresas privadas, este teto salarial não é inexistente, tampouco a estabilidade de emprego.

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João Alberto Peres Brando é economista e escreve mensalmente na InfoMoney.
joao.brando@infomoney.com.br