Publicidade
Executivos do GPA (PCAR3) realizaram na manhã desta terça-feira (28) uma teleconferência com analistas e investidores após ter divulgado, mais cedo, um resultado do quarto trimestre de 2022 que frustrou o mercado. O próprio grupo definiu que os últimos três meses do ano passado foram, provavelmente, o ponto baixo da sua operação, que passa por um processo de reestruturação.
O GPA vem descontinuou o funcionamento dos seus hipermercados para focar nos modelos de proximidade, premium e conveniência. Até o final do ano, a companhia espera abrir cerca de 100 lojas e ter 100% dos seus supermercados no que chama de formato G7, que redesenha a experiência de consumo e o fluxo de clientes.
A mudança de direção, contudo, está pesando nos balanços. A margem bruta do grupo no quarto trimestre foi de 22,6%, ante 27,2% um ano antes. A margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês, sobre receita) foi de 4,8%, recuo de 2,4 pontos percentuais na mesma comparação.
Continua depois da publicidade
“A margem foi impactada fortemente no quarto trimestre, mas entendemos que chegamos ao vale”, explicou Marcelo Pimentel, diretor executivo do GPA. “O fruto do trabalho de ajuste de categorias em meio à reestruturação tem um ponto importante que é o desligamento de alguns produtos e de fornecedores, que impactou um pouco o nosso negócio. Tivemos um nível de quebra ainda maior do que o esperado, com resultados na margem comercial”.
Além das mudanças operacionais, os executivos ainda mencionaram que o cenário macroeconômico, com inflação elevada e o juros em patamares elevados, também pesou.
Leia Mais:
“Para 2023, esperamos uma retomada da melhoria da margem bruta na comparação com o quarto trimestre. Esperamos melhorias já nesse primeiro trimestre. Estamos trabalhando em renegociações comerciais, na revisão dos contratos. Estamos indo para o terceiro nível de ajuste de malha logística. Temos, por último, buscando melhorias na redução dos níveis de estoques, que já caíram em quatro dias, o que deve se repetir ao longo de 2023 e que deve reduzir o valor investido”, comentou o CEO.
De acordo com Pimentel, o GPA vem enfrentando algumas dificuldades e é consenso que o crescimento e a penetração ficaram aquém do esperado no quarto trimestre. A dinâmica entre sortimento, preços e clusterização se mostra, então, um pouco mais desafiadora do que o imaginado inicialmente.
“Apesar da nossa proposta de valor nas bandeiras premium, nós sabemos que não podemos ficar distantes na precificação de alguns produtos que o cliente, não importa a classe social, tem como preço referência. Esses produtos, que variam de 250 a 300, nós monitoramos muito mais de perto na concorrência”, comenta. “Precisamos, de qualquer forma, ser fiéis à proposta de valor do Pão de Açúcar, apesar de o crescimento não estar vindo como nós esperávamos”.
Continua depois da publicidade
Para além das melhorias operacionais e do segmento premium, o GPA segue apostando no braço de perecíveis, que segundo eles melhora a margem e a recorrência de visitas, e na omnicanalidade para melhorar seu desempenho. Neste último, o grupo espera aumentar as vendas online de forma rentável, com foco tanto na experiência do cliente quanto na operação dentro das lojas, e busca também uma maior personalização, baseada no uso de dados dos clientes.
“Ao longo de 2023 teremos roll outs importantes de projetos, que devem aumentar os ganhos, principalmente quanto à margem comercial”, mencionou Guillaume Gras, diretor financeiro do GPA.
Com o pior resultado operacional, bem como com outros impactos não recorrentes, o grupo teve, no quarto trimestre, sua alavancagem financeira (medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda) ficando em 2,3, acima do limite estipulado por eles mesmos de dois.
Continua depois da publicidade
“Continuamos com a mesma perspectiva de redução de alavancagem. Neste ano, o spin off do Éxito deve gerar caixa, bem como nossas melhorias operacionais e monetização dos créditos fiscais. Lembrando que temos R$ 3,9 bilhões em créditos fiscais no nosso balanço”, comentou o CFO. “Temos também iniciativas para vender ativos non core, principalmente imobiliários e postos. Por fim, temos nossa participação remanescente no grupo Éxito”.
De acordo com o GPA, o esperado é que o spin off do Éxito, anunciado em setembro do ano passado, aconteça até o fim do segundo trimestre.