BR Foods deve vender ativos após decisão do Cade, diz Citi, que eleva recomendação

Chance para venda de marcas é de 90%, avalia; desempenho negativo da ação leva analistas a elevar recomendação

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SÃO PAULO – Às vésperas da decisão do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que divulga na próxima quarta-feira (8) seu parecer sobre a união entre a Sadia e a Perdigão, a qual originou a BR Foods (BRFS3), o Citi alerta que há uma chance de 90% para a venda de marcas da empresa, em quatro cenário traçados pelos analistas Carlos Albano e Marcio Kawassaki.

No entanto, a recomendação foi elevada de venda para manter, bem como o preço-alvo, que passou de R$ 31,00 para R$ 32,00 – o que indica um potencial teórico de valorização de 14,49% sobre a cotação do último fechamento. “Dado o recente recuo na ação, nós agora vemos um upside mais razoável”, escrevem em relatório. Além disso, as estimativas foram ajustadas com o resultado melhor que o esperado para o primeiro trimestre do ano.

Se os cenários mais prováveis revelam a venda de ativos, os resultados da BR Foods só seriam impactados em 2012, enquanto as margens se reduziriam gradulamente até chegar a um nível sustentável em 2013.

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Solução provável: venda de marcas
Aqueles com maior chance de ocorrer (45%) são unicamente a venda de marcas menores ou então a venda destas marcas menores mais plantas de abate e marcas de margarina.

No primeiro caso, as vendas em 2012 seriam afetadas em 5% – levando a margem Ebitda para 15,5% em 2013 – quando comparadas ao cenário da aprovação sem restrições. Já a venda dos ativos atingiria um montante de R$ 1,38 bilhão no próximo ano, considerando-se que o preço estipulado leva em consideração um múltiplo de sete vezes o EV/Ebitda.

Por outro lado, o cenário que considera a venda de mais ativos resultaria em ganhos de R$ 2,76 bilhões para a empresa, ao passo que a receita seria afetada em 10% e a margem Ebitda alcançaria 15,0% em dois anos.

Cenários otimista e pessimista
No cenário mais pessimista, o CADE pediria a venda da marca Sadia ou da Perdigão por um valor estimado de R$ 11 bilhões, o que reduziria em 40% as vendas em 2012, na comparação com o cenário sem restrições, e levaria a margem Ebitda para 12,5% em 2013.

Por outro lado, a projeção mais otimista é a de que o órgão aprove a união entre a Sadia e a Perdigão sem restrições, levando a BR Foods a garantir a totalidade das sinergias da operação e uma margem Ebitda de 16,1% em 2013. “Nós acreditamos que esse cenário é muito improvável, já que as três agências que apoiam o CADE já recomendaram algumas restrições”, escrevem.

Cenário Hipótese Preço-alvo Probabilidade
A Aprovação sem restrições R$ 35,00 5,0%
B Venda de marcas menores R$ 33,00 45,0%
C Venda de marcas, plantas de abate e marcas de margarinas R$ 31,00 45,0%
D Venda da Sadia ou da Perdigão R$ 22,00 5,0%