Tesouro Direto: juro de prefixado para 2029 sobe para 10,56% com reforma tributária e ata do Fomc no radar

Juros dos títulos de inflação também operam em alta enquanto o mercado observa andamento da pauta econômica na Câmara dos Deputados

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As taxas dos títulos do Tesouro Direto registram alta nesta quarta-feira (5), enquanto reformas importantes para a pauta econômica tramitam na Câmara dos Deputados e o mercado internacional aguarda pistas sobre a condução da política monetária dos Estados Unidos.

A ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc), que parece ter pausado temporariamente o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos, é amplamente esperada por investidores. A divulgação acontece hoje às 15h.

Depois que o presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA, Fed), Jerome Powell, disse que a maioria dos diretores da autarquia prevê novo aumento nas taxas de juros até o fim do ano, os agentes esperam pistas sobre o ritmo do aperto monetário.

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Os investidores estão precificando uma probabilidade de 88,7% de um aumento de 25 pontos-base nas taxas de juros em julho, segundo a ferramenta FedWatch da CME.

Na política, o foco está na votação do projeto de lei do Conselho Administrativo de Recursos Federais (Carf), mas ainda não há consenso sobre a apreciação do tema hoje. Como o texto tramita em regime de urgência, os adiamentos atrapalham também a votação do novo arcabouço fiscal.

A preocupação poderia se estender à reforma tributária, mas o Estadão/Broadcast mostrou ontem (4) que há um entendimento interno na Casa de que o trancamento de pautas por projetos com urgência constitucional, como é o caso do Carf, não atinge Propostas de Emenda à Constituição (PEC).

Apesar da pressão de prefeitos e da dificuldade com o PL do Carf, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse que a PEC da reforma tributária deve ser votada nesta quinta-feira (6). Ontem, a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), pediu o adiamento da votação argumentando que, se aprovada, a reforma diminuirá a arrecadação dos municípios.

No Tesouro Direto, os juros de prefixados seguem a tendência da véspera e operam em alta. A rentabilidade do título com vencimento em 2026 subia de 10,08%, na sessão anterior, para 10,15%, na segunda atualização de hoje, às 12h01. Já o juro do Tesouro Prefixado 2029 saía de 10,49% para 10,56%, no mesmo horário.

A rentabilidade real do Tesouro IPCA+ 2035 subia de 5,19%, ontem, para 5,22%, enquanto o Tesouro IPCA+ 2040 pagava juros reais de 5,37% ante 5,35% na sessão anterior. A taxa real do título de inflação com vencimento em 2055 também subia de 5,45% para 5,49%.

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Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta quarta-feira (5):

Reforma tributária

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) disse, em entrevista à GloboNews, que a reforma tributária começa a ser analisada hoje pelo plenário da Casa e que o texto será votado nesta quinta-feira.

Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), disse hoje que o governo federal trabalha para construir um nível de apoio à PEC superior ao mínimo necessário de 308 votos. Ele se reuniu com o governador de São Paulo, Tarcísio Freitas (Republicanos), que tem feito sugestões de alterações no texto.

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“Nós queremos superar o número mínimo para passar a ideia, como aconteceu com o marco fiscal, de que é um projeto de país que está em curso e que é algo para as futuras gerações”, disse Haddad.

Novos diretores do Banco Central

O Senado aprovou ontem (4) as indicações de Gabriel Galípolo e Ailton Aquino para as diretorias de política monetária e fiscalização do Banco Central, respectivamente. Os nomes foram aprovados pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) após sabatina e pelo plenário da casa.

Os novos diretores participam da próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), em agosto. Eles são os primeiros diretores indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).