Tesouro Direto: títulos de inflação chegam a 6,47%, com mercado de olho em possíveis mudanças na meta de inflação

Desde ontem, dois títulos atrelados à inflação (Tesouro IPCA+2032 e 2040) estão com as negociações suspensas para pagamento de cupom

Bruna Furlani Neide Martingo

(Rmcarvalho/Getty Images)
(Rmcarvalho/Getty Images)

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O cenário político continua dando o tom no último dia da semana, marcada pela volatilidade. De um lado o governo Lula, de outro, o Banco Central. E, no meio, está o mau humor  dos agentes financeiros.

As possíveis mudanças nas metas de inflação são o foco nesta sexta-feira (10). Na véspera (9), notícias de que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, teria sinalizado a integrantes do governo a intenção de promover leve aumento na meta de inflação deste ano, de 3,25% para 3,5%, provocaram alta na curva de juros futura.

Para aumentar ainda mais a temperatura, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, disse ontem (9) que Campos Neto está do lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e que a meta de inflação é “inexequível”.

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Antes de se reunir com o presidente norte-americano Joe Biden, na Casa Branca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, à CNN, que a divisão política nos Estados Unidos é maior ou tão séria quanto no Brasil.

O presidente Lula declarou que a divisão política nos Estados Unidos é maior ou tão séria quanto no Brasil, em uma entrevista exclusiva à CNN, nesta sexta-feira (10), antes de sua reunião com o presidente Joe Biden na Casa Branca.

“Aqui também há uma divisão, muito mais ou tão séria quanto o Brasil — democratas e republicanos estão muito divididos. Ame ou deixe-o, é mais ou menos isso que está acontecendo”, disse Lula à jornalista Christiane Amanpour. Segundo Lula, o Brasil não tem “uma cultura de ódio”. O presidente Lula viajou ontem (9) para Washington como convidado da Casa Branca.

Dados de atividade também estão no foco com a divulgação dos números do setor de serviços, que cresceu 3,1% em dezembro na base mensal. Percentual que ficou acima das estimativas de analistas.

Às 15h19, no Tesouro Direto, o mercado de títulos públicos operava em queda. A remuneração mais elevada era entregue pelo papel com vencimento em 2033, no valor de 13,51% ao ano, abaixo dos 13,60% da última sessão.

Na primeira atualização do dia, a remuneração mais elevada era entregue pelo papel com vencimento em 2029, no valor de 13,62% ao ano, acima dos 13,58% da última sessão. Com isso, os juros oferecidos pelo papel voltam a se aproximar de patamar visto no auge das discussões para a aprovação da PEC da Transição em dezembro do ano passado.

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Já entre os títulos atrelados à inflação, o destaque estava no Tesouro IPCA+2045, que oferecia um retorno real de 6,47% ao ano, menor do que os 6,52% da véspera.

“Vemos um movimento de desinclinação da curva: nos vértices mais curtos, há elevação dos juros; nos intermediários, o fechamento (queda) da curva. Em grande parte isso acontece por causa de notícias de fora”, diz Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos. Segundo ele, o curto prazo mostra a os ruídos da cena local, principalmente no que se refere aos atritos entre o governo e o Banco Central. “Isso acaba sendo bom pra pós-fixado, já que os juros devem ficar altos por mais tempo”.

Desde ontem, dois títulos atrelados à inflação (Tesouro IPCA+2032 e 2040) estão com as negociações suspensas, devido ao pagamento do cupom semestral, que ocorre na próxima quarta-feira (15).

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Por regra do Tesouro Direto, o investimento em títulos que têm cupom de juros é suspenso quatro dias úteis antes da data do pagamento. Da mesma forma, há mudanças nos resgates, que são interrompidos dois dias úteis antes do pagamento do cupom.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para a compra no Tesouro Direto na tarde desta sexta-feira (10): 

Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

 

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Lula nos EUA e mudanças nas metas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou ontem (9) para Washington como convidado da Casa Branca pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em uma visita que se concentrará no apoio à democracia brasileira e nos compromissos ambientais compartilhados.

O governo dos EUA está avaliando se juntar ao Fundo Amazônia, que visa combater o desmatamento da floresta amazônica, uma contribuição que poderá ser anunciada durante a reunião de Lula e Biden, disseram duas autoridades dos EUA com conhecimento direto do assunto.

Apesar das discussões envolvendo possíveis mudanças nas metas de inflação, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, reiterou ontem (9) desconhecer discussão sobre mudança de meta de inflação.

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“Desconheço qualquer reunião nesse sentido”, disse Padilha quando perguntado por repórteres sobre possível discussão no governo sobre o tema.

Segundo apuração da agência Bloomberg, a equipe econômica estuda antecipar uma revisão das metas de inflação do país na tentativa de acalmar as tensões entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Banco Central. 

Lula vai ao STF

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação declaratória de constitucionalidade (ADC) para garantir a legitimidade e a eficácia imediata de decreto que restabeleceu alíquotas de contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e outros tributos desonerados no “apagar das luzes” por Hamilton Mourão (Republicanos-RS), vice-presidente da gestão anterior.

O decreto nº 11.374/2023, assinado no primeiro dia da atual administração, revoga três peças assinadas em 30 de dezembro por Mourão – que exercia a Presidência da República, uma vez que que Jair Bolsonaro (PL) já estava fora do país, em viagem aos Estados Unidos.

As medidas estabeleciam vigor a partir da publicação no Diário Oficial da União, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 2023.

Serviços

O volume de serviços no Brasil cresceu 3,1% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal. Ante dezembro de 2021, o setor mostrou crescimento de 6,0%. O volume de serviços acumulou alta de 8,3% em 2022. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O setor de serviços ficou 14,4% acima do nível de fevereiro de 2020 e alcançou patamar recorde na série histórica, iniciada em 2011.

O consenso Refinitv esperava alta bem menor no mês, de 1% na comparação mensal e de 3,9% na anual.

Para Luiz Almeida, analista da pesquisa, a intensificação na retomada de serviços presenciais após os períodos de isolamento e distanciamento social de 2020 e 2021 ajuda a explicar a expansão em 2022. Ele destacou principalmente no ramo de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que avançou 13,3% e teve a maior influência para o resultado do ano.