Conteúdo editorial apoiado por

Dólar hoje fecha em alta de 0,41% e supera R$ 5,10 após Fed e com Copom no radar

O Federal Reserve manteve sua taxa básica de juros estável nesta quarta-feira, e os formuladores de política monetária esperam um aumento na taxa ainda este ano

•

(Foto: Blogging Guide/Unsplash)
(Foto: Blogging Guide/Unsplash)

Publicidade

O dólar passou por uma sessão de reviravoltas nesta quarta-feira (17), logo após a decisão de juros do Federal Reserve, na primeira reunião sob o comando de Kevin Warsh. A divisa americana, que havia diminuído as perdas logo após a decisão de juros, virou para ganhos após a coletiva de Warsh para a imprensa.

O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa de 3,50% a 3,75%, enquanto as projeções das autoridades do banco central norte-americano apontaram um aumento ainda em 2026, o que fortaleceu o dólar frente as principais moedas globais.

Cabe ressaltar que, depois do fechamento, será divulgada decisão de juros no Brasil, pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Continua depois da publicidade

Leia mais: Dólar Hoje: Confira a cotação e fechamento diário do dólar comercial

Qual foi a cotação do dólar hoje?

O dólar à vista fechou o dia com alta de 0,41%, aos R$ 5,1104. No acumulado do ano, a divisa passou a acumular queda de 6,90% ante o real.

Às 17h03, o dólar futuro para julho – atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,36% na B3, aos R$ 5,1245.

Continua depois da publicidade

Dólar comercial

O que aconteceu com dólar?

O Federal Reserve manteve sua taxa básica de juros estável nesta quarta-feira, e os formuladores de política monetária esperam um aumento na taxa ainda este ano, em meio a preocupações crescentes com a inflação, que permanece acima da meta de 2% do banco central dos Estados Unidos.

Novas projeções trimestrais mostraram que nove autoridades do Fed agora preveem uma alta de juros até o fim de 2026, e o comunicado de política monetária atualizado removeu a linguagem que vinha sendo usada para sinalizar a probabilidade de novas reduções de taxas em 2026.

De fato, o comunicado, em um sinal inicial da influência do novo chair do Fed, Kevin Warsh, removeu completamente qualquer orientação sobre movimentos futuros dos juros. O novo formato simplesmente informou a decisão sobre a taxa e reafirmou a intenção do banco central de manter “reservas abundantes no sistema bancário”.

Continua depois da publicidade

O documento mais curto, um retorno a um formato semelhante ao usado pelo ex-chair do Fed Alan Greenspan, foi aprovado por votação unânime de 12 a 0.

A declaração do Fed mostrou outros sinais da influência inicial de Warsh, que assumiu o cargo após ter sido nomeado no início deste ano pelo presidente Donald Trump, com a expectativa de que entregasse os cortes de juros exigidos pelo republicano.

A descrição da economia abordou temas enfatizados por Warsh, mencionando que “o crescimento da produtividade e o investimento de capital estão fortes”.

Continua depois da publicidade

Embora reconhecesse que a inflação estava “elevada em relação à meta de 2% do Comitê”, isso foi atribuído em parte a “choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em certos setores, incluindo energia”.

As novas projeções mostram a inflação desacelerando acentuadamente no próximo ano.

“O Comitê entregará estabilidade de preços”, disse o documento.

A perspectiva de juros mais altos nos EUA deu força aos rendimentos dos Treasuries e ao dólar ante todas as demais divisas, incluindo o real.

“Na primeira reunião sob a gestão de Kevin Warsh, o Fed não trouxe surpresas: manteve os juros inalterados, em um patamar que ainda pressiona a atividade econômica, mas reflete a cautela do novo presidente diante das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio”, destacou Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, em referência ao fato de esta decisão ser a primeira com Warsh como chair do Fed.

“No curto prazo, a decisão tende a reforçar o dólar frente às moedas emergentes e pode continuar reduzindo o fluxo de capitais para esses mercados”, acrescentou.

No Brasil, as atenções se voltam ao Copom, com o mercado projetando um corte de 0,25 ponto percentual da Selic, para 14,25%, embora uma pausa não esteja descartada diante da piora do cenário externo, da alta do petróleo e da deterioração das expectativas deinflação. O tom do comunicado será decisivo para calibrar as apostas dos próximos passos.

Essas decisões sobre juros têm potencial de impactar o câmbio. O diferencial de juros entre Brasil e outros países — como EUA e Japão, cujas taxas estão em níveis bem menores — vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que converteu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos meses anteriores.

No início da sessão desta quarta-feira, o BC informou que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um indicador de tendência para o Produto Interno Bruto (PIB), subiu 0,5% em abril na comparação com o mês anterior, segundo dados dessazonalizados, menos que o avanço de 0,6% projetado por economistas em pesquisa da Reuters.

(Com Reuters)

Autor avatar
Felipe Moreira
Mercados | Economia | Onde Investir