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As ações do Itaú Unibanco (ITUB4) disparavam nesta segunda-feira (5), acompanhando a forte valorização dos bancos no primeiro pregão após o resultado do primeiro turno das eleições.
Por volta das 13h20, ITUB4 avançava 11,64%, a R$ 50,05, depois de alcançar R$ 50,68 na máxima do dia. No mesmo horário, o Ibovespa subia 8,88%, aos 209.175 pontos, após atingir o recorde intradiário de 209.605 pontos.
O movimento ganha relevância porque levou as ações do Itaú para novas máximas históricas. Antes da abertura, o gráfico apontava resistências em R$ 45,27 e R$ 47,04, além do recorde anterior de R$ 48,81. Todas essas referências foram superadas nas primeiras horas do pregão.
A alta acontece em meio a uma valorização generalizada do setor financeiro. Às 13h20, Bradesco (BBDC4) avançava 14,30%, Banco do Brasil (BBAS3) subia 12,23% e Itaúsa (ITSA4) ganhava 11,25%.
Empresas mais diretamente expostas ao mercado de capitais registravam movimentos ainda maiores: XPBR31 subia 27,75%, BPAC11 avançava 26,99% e B3SA3 ganhava 26,89%.
O rali acompanha uma reprecificação ampla dos ativos brasileiros após o primeiro turno, com forte alta da Bolsa, valorização do real e queda dos juros futuros. Os investidores reagem ao resultado eleitoral e às novas expectativas para a política fiscal e econômica, ainda sujeitas ao desfecho do segundo turno e às medidas que efetivamente venham a ser adotadas.
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ITUB4 rompe máxima histórica
Do ponto de vista técnico, o pregão desta segunda-feira mudou rapidamente o mapa de ITUB4.
Na sexta-feira, a ação havia encerrado a R$ 45,13, com alta de 1,54%. Na semana, acumulou valorização de 7,16%.
O papel já vinha mostrando melhora ao romper a linha de tendência de baixa que limitava sua recuperação desde a máxima histórica registrada no início do ano. ITUB4 também negociava acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, configuração que indicava fortalecimento da tendência de alta.
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O primeiro teste estava em R$ 45,27. Depois aparecia R$ 47,04. A superação dessas regiões recolocaria no radar a então máxima histórica de R$ 48,81.
O movimento desta segunda-feira foi além: com a máxima de R$ 50,68, ITUB4 atravessou as duas resistências, rompeu o recorde de R$ 48,81 e passou pela primeira vez da região dos R$ 50.
Acima da antiga máxima, o papel entra em uma região sem resistências históricas anteriores imediatamente identificáveis no gráfico analisado. Isso significa que novas projeções técnicas passam a depender da evolução do preço após o rompimento, em vez de níveis anteriores de topo.
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Até onde ITUB4 pode subir?
O rompimento da máxima histórica reforça a tendência, mas também aumenta a importância de acompanhar a capacidade de ITUB4 de sustentar preços acima de R$ 48,81.
Essa antiga resistência passa a funcionar como uma referência técnica importante caso haja realização de lucros.
Antes do pregão, o Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos estava em 74,59 pontos, já dentro da região de sobrecompra. O indicador mostra que a valorização vinha ocorrendo em ritmo acelerado.
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Sobrecompra, isoladamente, não significa que uma queda esteja prestes a ocorrer. Mostra, porém, que o movimento está esticado e que oscilações ou realizações podem ganhar força após uma sequência de altas.
Antes do rompimento, os suportes estavam em R$ 43,15 e R$ 41,50. Abaixo dessas regiões, apareciam R$ 39,75, R$ 37,32 e R$ 35,63.
Com a disparada desta segunda-feira, porém, a região dos R$ 48,81 passa a ser a referência mais próxima para avaliar se o rompimento histórico consegue se consolidar.
Por que Itaú sobe tanto?
A explicação para a alta vai além do gráfico. Os grandes bancos estão entre os ativos que mais respondem à forte queda dos juros futuros nesta segunda-feira.
Juros de longo prazo menores afetam a avaliação das empresas porque reduzem a taxa utilizada pelos investidores para descontar resultados futuros. Para o setor financeiro, condições financeiras menos restritivas também podem favorecer a demanda por crédito e aliviar pressões sobre a inadimplência de empresas e famílias.
Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, afirma que os bancos estão sendo favorecidos tanto pela queda dos juros futuros quanto pela perspectiva de uma inadimplência corporativa e de pessoas físicas menos pressionada.
Marcelo Bassani, economista e fundador da Boa Brasil Capital, também relaciona a alta dos bancos à revisão das expectativas para o cenário fiscal. Na avaliação dele, a mesma mudança de percepção ajuda a explicar simultaneamente a valorização da Bolsa, a queda do dólar e o fechamento da curva de juros.
O resultado do primeiro turno desencadeou uma forte reprecificação dos ativos brasileiros, com o Ibovespa avançando mais de 8% durante o pregão e o real registrando forte valorização.
Bancos podem absorver entrada de estrangeiros
A liquidez também ajuda a explicar o desempenho do Itaú.
Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, destaca que os grandes bancos brasileiros têm escala, liquidez e histórico de atravessar diferentes ciclos econômicos.
Segundo ele, essas características fazem do setor uma das principais alternativas para investidores que desejam aumentar exposição rapidamente ao mercado acionário brasileiro.
O efeito aparece de forma ainda mais acentuada nas empresas ligadas diretamente à atividade do mercado de capitais. XP, BTG Pactual e B3 avançavam perto de 27% no início da tarde, em meio à expectativa de maior fluxo para ativos de risco.
BBI reduz posição em Itaú, mas vê juros menores à frente
Um relatório recente do Bradesco BBI acrescenta uma nuance ao movimento de ITUB4.
O banco aumentou de 50% para 60% a participação de estratégias consideradas ofensivas em sua carteira de ações brasileiras, ampliando posições em BBAS3, Petrobras e XP. Para financiar a mudança, porém, reduziu a exposição a ITUB4, além de outros papéis.
A decisão não equivale necessariamente a uma visão negativa para o Itaú. Ela reflete principalmente uma preferência relativa do BBI por empresas que, segundo sua estratégia, oferecem maior sensibilidade à queda dos juros e ao retorno dos fluxos para a renda variável.
O próprio BBI acredita que a curva de juros ainda precifica taxas excessivamente altas. A equipe econômica do banco projeta a Selic em 11% no fim de 2027, cerca de 2,5 pontos percentuais abaixo do nível implícito na curva quando o relatório foi elaborado.
Na avaliação do banco, juros menores podem beneficiar a Bolsa tanto pela redução da taxa de desconto dos valuations quanto pela possibilidade de migração de recursos atualmente aplicados em instrumentos ligados ao CDI para ativos de maior risco.
Por isso, mesmo com o BBI reduzindo sua posição relativa em Itaú, ITUB4 participa da reprecificação ampla do setor financeiro e, tecnicamente, passa a negociar em território inédito após romper os R$ 48,81 e superar os R$ 50.
