Países passam por uma crise de lideranças, diz ex-presidente da Irlanda

Mary Robinson avalia que impera pensamento de curto prazo e falta de equidade entre homens e mulheres à frente dos governos pelo mundo

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Mary Robinson foi presidente da Irlanda nos anos 1990 e acumulou cargos em organizações internacionais de todos os tipo. E seu diagnóstico sobre o atual momento do mundo não é animador. “Precisamos de boas lideranças e, infelizmente, a oferta é pequena”, avalia.

Em uma palestra durante o Global Abrigusiness Festival (GAFFFF), a ex-alta comissária dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) disse que há uma dificuldade global para avançar em pautas importantes, como o combate às crises ambientas, em um cenário marcado por líderes populistas e com visões de curto-prazo.

“Lideranças a longo prazo veem que precisamos lidar com problemas a partir da ciência e que precisamos pensar nas gerações futuras para fazer diferença”, aponta. A visão de “liderança de longo prazo” é uma pauta do grupo independente global The Elders, fundado por Nelson Mandela em 2007 e do qual Robinson faz parte.

Sua avaliação se estende para lideranças multilaterais em um mundo que dásinalizações de ruptura com o multilateralismo. “Tive sorte em minha longa vida, porque esse é o período mais difícil que já presenciei.”

Eleita presidente da Irlanda em um momento no qual tinha apenas uma colega mulher na liderança de um país europeu, Robinson relata que o mundo também passa por um excesso de lideranças masculinas. “O meu ponto não é ‘anti-homem’, é sobre a necessidade de um balanço. Em termos de igualdade, paridade em nível global seria ter 50% dos países liderados por mulheres. Haveria um balanço maior no mundo”, afirma.

Sua avaliação se estende também às comunidades, onde acredita que lideranças tem um impacto importante inclusive para resolver a crise ambiental e climática: “Não resolveremos essas questão até que as comunidades tomem para si essa pauta e falem sobre isso não só como uma prioridade, mas como uma questão de direitos humanos”.

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Iuri Santos
Business | Consumo | Minhas Finanças

Repórter com experiência na cobertura de mercados, negócios e inovação. Antes do InfoMoney, passou pelo E-Investidor, do Estadão.